Com farto conteúdo sobre temas de saúde, a internet vem revolucionando a relação entre médico e paciente
O médico como o detentor absoluto das informações de saúde e o paciente como o indivíduo a quem cabe acatar e submeter-se às recomendações são seres em extinção. São entes da era pré-internet. Esse universo virtual, com fartura de conteúdos acessíveis em rápidos cliques, vem impondo um novo modelo de relacionamento entre médicos e pacientes.
Com uma frequência cada vez maior, o paciente que chega ao consultório já leu bastante sobre os sintomas e traz até hipóteses diagnósticas ou, tendo uma doença diagnosticada, é capaz de discorrer sobre características, prognósticos, tratamentos disponíveis, etc. Em vez da velha postura passiva, esse novo paciente assume o papel de protagonista da própria saúde. É questionador, quer dialogar com o médico e participar das decisões, fazendo a escolha mais adequada diante das necessidades e estilo de vida. É um comportamento que se encaixa perfeitamente nos conceitos contemporâneos de medicina individualizada e humanizada.
É verdade que ainda há profissionais que se sentem incomodados nesse novo contexto. Mas é crescente o número daqueles que fazem da informação uma aliada da assistência. “Cabe ao médico tirar dúvidas, orientar o paciente sobre onde buscar informações confiáveis, ajudá-lo a entender um conteúdo mais técnico ou desmistificar informações equivocadas”, afirma o Dr. Guilherme Schettino, pneumologista e médico intensivista do Hospital Israelita Albert Einstein. “Estatísticas mostram que, ao buscar informações sobre saúde, as pessoas acessam primeiramente o Google e depois a Wikipédia. Esta, como todos sabem, pode ser alimentada por qualquer indivíduo – inclusive por aqueles que não têm credenciais para falar sobre o assunto. Por outro lado, uma pesquisa no ‘Dr. Google’, nem sempre traz os sites mais confiáveis em relação o tema, ou não os traz na página inicial, que são aqueles que o internauta costuma acessar. Assim, o médico tem um papel importante em orientar o paciente sobre onde ele pode buscar boas informações médicas”, completa o Dr. Schettino.
Segundo a Dra. Valéria Pinheiro de Souza, nefrologista, médica intensivista e coordenadora de Relacionamento Médico com TI do Einstein, esse tem sido um processo de aprendizado para parte dos médicos. “Na faculdade não nos ensinavam que o paciente precisaria ter acesso a um volume maior de informações e que os questionamentos deveriam ser vistos como algo positivo. A geração mais nova de profissionais já vê isso com naturalidade”, diz ela. “O fato é que quanto mais informação recebe, maior é a confiança que o paciente terá na ação médica. Estudos demonstram que o paciente bem-informado, que participa das decisões em conjunto com o médico, adere mais ao tratamento”, destaca.
Informação e transparência
Com boas razões, portanto, as próprias instituições – e o Einstein é um exemplo – alimentam esse universo com a produção de conteúdos para o público leigo, disponibilizados em sites e diversos outros meios. Também investem na transparência, divulgando os indicadores de desempenho, permitindo a qualquer pessoa conhecer a qualidade da assistência. Amplamente adotada nos Estados Unidos, essa prática tem o Einstein como um dos pioneiros no Brasil. Basta entrar no site da instituição para conferir os indicadores de processos assistenciais e de resultados clínicos, periodicamente atualizados. “Afinal, também para escolher um hospital ou definir que médico vai procurar, o paciente conectado buscará informações e fará comparações que embasarão a decisão”, afirma o Dr. Schettino.
Mesmo fontes de dados dirigidas a médicos procuram adequar-se à nova realidade. O UpToDate, canal eletrônico com conteúdos que suportam a decisão médica com base em evidências, tem ao final de cada capítulo um texto que ajuda o médico a orientar o paciente e possui conteúdos diretamente direcionados ao público leigo, disponibilizados gratuitamente.
Prontuário eletrônico
A exemplo do que já ocorre em países como os Estados Unidos, novos passos vêm sendo dados por instituições brasileiras, com iniciativas como o prontuário eletrônico e a disponibilização desse tipo de informação em portais que podem ser acessados pelo paciente e pelos profissionais envolvidos na assistência, adotando-se, evidentemente, mecanismos de controle de acesso e de segurança da informação, a fim de preservar a confidencialidade dos dados. “O acesso do paciente às próprias informações médicas é um tema que tem ganhado relevância. A informação do prontuário é do paciente. Apenas a guarda é do hospital”, afirma a Dra. Valéria. O Einstein está desenvolvendo um projeto pioneiro no Brasil relacionado a prontuário eletrônico e à disponibilização de acesso pelo paciente às informações a ele relacionadas.
Por meio de redes sociais e organizações virtuais que congregaram portadores de determinadas condições de saúde, hoje os próprios pacientes são geradores de informações. Além de compartilhar dentro do grupo interessado, ao relatar experiências essas pessoas produzem informações relevantes que acabam incorporadas à própria literatura médica.
Dra. Valéria Pinheiro
Nefrologista
e intensivista
CRM 81.963 SP
CRM 81.963 SP
Dr. Guilherme
de Paula
Pinto Schettino
de Paula
Pinto Schettino
Intensivista
CRM 62.967 SP
CRM 62.967 SP
Ao lado dessa face positiva o universo de conteúdos disponíveis sobre temas de saúde também pode ter efeitos adversos. Um deles diz respeito à capacidade de separar o joio do trigo, ou seja, as informações confiáveis daquelas que trazem erros absurdos e promessas absolutamente desconectadas da realidade. Outro ponto é não cair na tentação de se autodiagnosticar ou se automedicar. A pessoa capacitada para isso é o médico. Mas estar preparado para discutir com ele o problema e os caminhos a serem seguidos é, certamente, uma atitude saudável.
Contudo, no cipoal de conteúdos da internet é fundamental que o paciente saiba onde buscar a boa informação. A Associação Médica Americana sintetizou alguns critérios para isso: ser de fonte confiável (universidades, associações médicas e científicas, órgãos oficiais, instituições respeitadas), conter o nome e a qualificação do responsável pela informação, observar a data de atualização e se quem gerou aquele conteúdo pode ter algum conflito de interesse. São dicas simples mas essenciais aos pacientes que querem se informar e exercer plenamente o direito de questionar, discutir com o médico e participar das decisões sobre os caminhos a serem seguidos em relação ao tratamento e à própria saúde.
Fonte:
http://www.einstein.br/einstein-saude/saude-executivo/Paginas/pacientes-informados-e-questionadores.aspx
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