terça-feira, 30 de junho de 2015

Por que vitórias na carreira ainda deixam as pessoas se sentindo vazias?

Repassar o que você aprendeu ao longo dos anos pode ajudar a obter satisfação real no trabalho
Por que "vitórias" na carreira frequentemente deixam as pessoas se sentindo vazias e insatisfeitas? E, mais importante, como podemos evitar esse problema?
Nós pedimos recentemente aos leitores da "Harvard Business Review" que compartilhassem seus pensamentos e várias das respostas trazem à lembrança o modelo clássico de sucesso psicológico de Douglas T. Hall.

O modelo de Hall sugere vários motivos para um sucesso poder parecer um fracasso:

– Trocas entre metas da carreira e metas pessoais. Isso pode ser tão dramático quanto ir contra suas crenças mais profundas visando ter sucesso político no trabalho ou suportar um horário de trabalho punitivo que não permite tempo para relacionamentos ou cuidar de si mesmo.

– Falta de propriedade. Se você não acredita que é responsável por sua vitória (talvez você a atribua à sorte ou outros fatores externos), você não se sentirá satisfeito com ela. Não basta conseguir a grande promoção, como mostrou a pesquisa de Hall. É preciso acreditar que você a mereceu.

– Falta de validação por outros. Os outros também precisam acreditar que você merece seu sucesso. Esse é o motivo para muitos gerentes jovens, lutando para superar uma imagem de "novato ávido" nas empresas onde iniciaram suas carreiras, acabam buscando crescimento e avanço profissional em outro lugar.

– Falta de tempo para aprender. Assim que você obteve a conta, conseguiu a promoção ou se tornou sócio, você teve uma chance para refletir sobre o que aprendeu e como abordar suas novas responsabilidades? Ou começou a apagar incêndios imediatamente? Independente de sua organização ou de você mesmo (ou ambos) estabelecer um ritmo maníaco, é comum enfrentar um grande desafio atrás do outro sem ter uma chance para crescimento entre eles.

Com tanta tensão entre o profissional e o pessoal, como algum de nós pode esperar obter satisfação real?

Uma forma é o que os psicólogos chamam de "generatividade": repassar o que você aprendeu ao longo dos anos para ajudar as pessoas da geração seguinte a atingirem suas metas e sonhos. Como colocou um leitor, P.G. Subramanian, "você realmente tem sucesso quando a equipe tem sucesso".

Essa mentalidade é uma subcorrente forte em nosso artigo "Manage Your Work, Manage Your Life" ("Administre seu trabalho, administre sua vida", em tradução livre).
Apesar da amostragem de nossa pesquisa de executivos seniores ser diversa de muitas formas –nós sintetizamos o entendimento de quase 4.000 homens e mulheres de vários setores, cargos e nacionalidades– os líderes em nosso conjunto de dados tinham uma coisa importante em comum. Todos abriram um espaço em suas vidas movimentadas para compartilhar o que aprenderam com os estudantes de MBA que conduziram as entrevistas.

O conceito de generatividade foi primeiro definido por Erk Erikson, que a via principalmente como uma preocupação da meia-idade: será que sucumbimos a rotinas irrefletidas e buscas egoístas? Ou fazemos contribuições duradouras por meio do ensino, tutoria, participação em sistemas sociais, criação dos filhos ou criação de coisas que durem além de nós e beneficiem as gerações futuras?

Apesar dos anos da meia-idade serem de fato um território propício para questões como essas, até mesmo crianças do jardim de infância (algumas mais do que outras) têm grande prazer em ajudar e ensinar. Pessoas altamente "generativas" frequentemente notam que desde pequenas elas já estão cientes dos problemas dos outros e se sentem compelidas a agir.
A "generatividade" abrange tanto a preocupação social quanto a competência e confiança para agir a respeito. Sem causar surpresa, pessoas "generativas" tendem a relatar níveis elevados de bem-estar subjetivo.
Fonte:
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2014/06/18/por-que-vitorias-na-carreira-ainda-deixam-as-pessoas-se-sentindo-vazias.htm

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